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Roque
Rotundo
Roque
Rotundo, nasceu em 1875 e veio para o Brasil em 1888. Estudou
em São Tomé das Letras, formou-se no curso ginasial
e passou a trabalhar no comércio, nesta cidade, na
casa comercial de seu futuro sogro, Domingos Conde. Casou-se
com Sinhá Conde, logo em seguida montou loja própria
que se chamava Casa Rotundo. Nesta casa comercial vendia-se
fazendas, armarinhos, calçados e chapéus.
A Casa Rotundo era exclusivista de vários produtos,
tendo como marcas principais: Chapéus, Ramezoni, Meias
Lupo, Calçados Clark e Staccamachia.
Do casamento de Sr. Roque Rotundo nasceram seis filhos: Roque
Rotundo Filho, Ida Rotundo, Miguel Rotundo, Iolanda Rotundo,
Maria Rotundo e Nair Rotundo. Roque Rotundo residia e morava,
na avenida Rio Branco onde era também a sua comercial,
ainda temos hoje este sobrado que é justamente a nossa
Câmara Municipal. Os irmãos do Sr. Roque Rotundo,
sabendo da sua prosperidade também vieram para o Brasil,
em busca de riquezas e vida mais digna. Eram eles, Antônio
Rotundo, Ângelo Rotundo, Vicenzzo Rotundo e Giovanni
Rotundo.
Vicenzzo voltou para a Itália, onde por ironia do destino,
morreu na 1ºGuerra Mundial. Giovanni voltou também
para Itália. Antônio, Ângelo e Roque então
montaram um comércio de café, em Varginha, com
ligação com Rio de Janeiro e em Nápoli,
isto por volta de 1920.
Em 31-1-33 veio para o Brasil o Sr. José Rotundo Giuseppe,
vivo até hoje, filho de Giovanni, sobrinho do Sr. Roque
para estudar e trabalhar. O Sr. José Rotundo, estudou
em Nápoli, colégio Salesiano e aqui em Varginha
já nos Maristas. Ao terminar o curso ginasial, passou
a ser gerente da loja A Moderna tendo como fundador Sr. Roque
Rotundo. Seu comércio também constava de fazendas,
armarinhos, calçados, chapéus e mais tarde eletrodomésticos.
Com a mudança dos tempos e a criação
de outros materiais nos anos 50, esta loja mudou bastante
o seu estilo. Comercializava discos, eletrolas, artigos esportivos,
roupas confeccionadas e fazendas. A loja A Moderna teve uma
colaboração no comércio de Varginha.
Inaugurada nos anos 40 e funcionou até o ano de 1996
sob a gerência do Sr. Rotundo sem nunca vir a falência.
Batista Rotundo irmã do Sr. Roque Rotundo foi casada
com Michelino de Luca, um dos fundadores do Moinho Sul Mineiro.
Antônio Rotundo voltou algum tempo ainda para a Nápoli,
sempre trabalhando com importação de café
tendo como centro Varginha. Foi Presidente da Câmara
Municipal e naquele tempo quase que prefeito. Os filhos do
Sr. Roque Rotundo também nasceram e foram criados aqui
em Varginha. Um deles Miguel Rotundo foi dono da Casa das
Casemiras e depois sua irmã Maria Rotundo também,
sendo que futuramente seu filho Roque Rotundo Gazola passou
a ser gerente até o início dos anos 90.
A loja A Moderna tinha como seu gerente o Sr. José Rotundo.
A Moderna foi remanescente da Casa Roque Rotundo.
Casa Da Família Rotundo

Casa da família Rotundo em Sasso Castalda, na Itália.
Casa
Da Família Rotundo

A Prefeitura de Varginha restaurou o casarão, onde
funcionou a "Casa Rotundo". Localizada em ponto estratégico,
esquina da rua Álvaro Costa com a Avenida Rio Branco.
O casarão é um patrimônio histórico
que marcou a época na década de 30.
Pavilhão
Italiano

É a família do Sr. Roque Rotundo na sociedade de Varginha.
Sasso
Castalda

É a cidade onde nasceu a família do Sr. Roque Rotundo e
o Sr. José Rotundo.
Joaquim
Sério
Em
1900 Joaquim Sério adquiriu um casarão na Av. Alves da Silva,
ao lado da matriz, atual Av. Rio Branco, que recebeu os primeiros
padres e professores que chegavam a Varginha, quando ela ainda
era arraial. Nela instalou a Alfaiataria Sério, que em pouco
tempo tornou-se a coqueluche local.
Até 1954 Vicente ficou na loja , depois mudou-se para Wenceslau
Braz, 275,onde está até hoje. Ele diz sentir saudades da época
em que ele e Carolina , sua esposa, ficavam até tarde da noite
costurando os vestidos finos das freqüentadoras do Clube de
Varginha e das festas do Capitólio.

Foto 1: Cel. Júlio Alves Teixeira, abastado agricultorno
municipio e respeitavel e competente membro do Diretório político
local.

Foto 2: Major Gustavo Otaviano Ferreira Sobrinho zeloso
e distinto agente do correio da cidade.

Foto 3: Palacete em construção, á Rua Direita, de propriedade
do Centro Domingos Ribeiro e Rezende.
O MOMENTO, jornal desta cidade, fundado em 1 de maio de1915,
foi mantido por seu diretor João Liberal.
INFLUÊNCIA
DA COMUNIDADE ITALIANA EM VARGINHA
No século passado, tropeiros compravam mercadorias em São
Paulo e vendiam para o sertão mineiro. Esses comerciantes
viajavam em tropas e dormiam em cabanas, erguidas de seis
em seis léguas. O atual bairro da Vargem era um desses pontos
de descanso. Neste local surgiu o primeiro povoado de Varginha,
no final do século dezoito. Os primeiros documentos de que
se tem notícia sobre a história de Varginha datam de 1780.
Até 1882 Varginha chegou a ter 1700 escravos. O beco onde
está o Colégio Pio XII era um centro de comércio de escravos.
A cidade recebia suas primeiras empresas e o movimento era
intenso. No relacionamento internacional a situação não era
favorável . A Inglaterra fazia pressões sobre Brasil, um dos
últimos países que continuava comercializando escravos. Mercadoria
em falta acarreta alto valor: um escravo passou a custar o
equivalente a uma fazenda. O trabalho escravo já não possuía
atrativos suficientes.
O Brasil firma, então, um acordo com a Itália, quando vários
imigrantes deslocam-se de sua terra natal para o nosso país.
A passagem era paga pelo governo brasileiro, em troca de cinco
anos de trabalho na lavoura.
Os primeiros imigrantes trabalharam nas fazendas de café do
município, como as do Cel. João Urbano, Matheus Tavares e
Domingos Teixeira de Carvalho.
Após esse período, a comunidade italiana, que veio para a
então Vila de Varginha, já está completamente integrada aos
aspectos da sociedade local. Sua presença é intensa, assim
como as colônias portuguesa e espanhola. A influência de alguns
imigrantes continua até hoje, através do estilo de diversas
casas, principalmente no centro.
Em 11 de agosto de 1895 é fundada a Sociedade Italiana de
Beneficência, cuja primeira sede foi construída à rua Wenceslau
Braz (no prédio onde funcionou o Cine Brasil, primeiro cinema
itinerante da região, o Banco Nacional e a Sociedade Rádio
Clube de Varginha).
Deve-se ao italiano Rafaelo Romaniello a construção da primeira
empresa que fabricava massa. Sua fábrica funcionava em frente
à praça Dom Pedro II, o "Jardim do Sapo". Funcionava através
de tração animal. Um burro puxava o maquinário.
Em 1905, o empresário italiano Roque Rotundo adquire o casarão
construído pelo major Matheus Tavares, onde hoje está a Câmara
Municipal. Líder da colônia italiana, Roque Rotundo foi um
dos mais expressivos membros da comunidade italiana. Ajudava
seus conterrâneos na administração de seus bens, inclusive
fazendo depósitos e retiradas no Banco do Brasil. Em contrapartida,
os trabalhadores faziam todas as compras na Casa Rotundo.
Em 1920, o Censo contabilizava 870 italianos em Varginha.
Em 1945 morre Roque Rotundo. A "Rotundo & Cia Ltda" prossegue
suas atividades, passando a vender também brinquedos, antes
encontrados apenas na loja Humberto Conde. Em 1952, Miguel
de Lucca, outro italiano que teve importante papel dentro
da história de Varginha, sai da sociedade da empresa para
integrar a direção do Moinho Sul Mineiro.
A história do Moinho Sul Mineiro é motivo de orgulho para
toda a cidade. Foi fundado por um grupo de varginhenses, constituído
por Miguel de Lucca, Reynaldo Foresti, Heitor Foresti, José
Orlando Fenocci, José Pinto de Oliveira, Álvaro Mendes, Foresti
Rotundo & Cia Ltda, Francisco Rosenburg, Osvaldo de Paiva
Pinto, José Adélio de Rezende, Antonio Mendes, Ludovico Loyola,
Rubens Vicente de Lucca, João Vidal Filho e Bráz Paione.
Outra família que participa ativamente do desenvolvimento
da cidade é a Navarra. Teve importante papel no desenvolvimento
da siderurgia (fabricação de portões, janelas, decorações
em ferro), assim como a família Lentini, que mantém-se até
hoje como uma das poucas empresas da cidade a fabricar equipamentos
em aço inoxidável e aço carbono para indústrias.
O trabalho que marcou para sempre a atuação da família Navarra
foi a construção do Theatro Capitólio(lincar). Inaugurado
em 12 de outubro de 1927, o teatro tem estilo tolentino e
a decoração é atribuída ao italiano Alexandre Vallati. Durante
a inauguração do teatro, às 15 horas daquele dia, a senhora
Ambrósia de Paiva Figueiredo (dona Zinoca) representava a
mulher varginhense. O Executor da Justiça (Juiz de Direito)
Antônio Pinto de Oliveira representava o homem varginhense.
Entretanto, não é só pelo trabalho que muito devemos à gloriosa
colônia italiana. É, também, pelo mais importante que nos
deixou de sua vida: o seu sangue, que hoje circula nas veias
de talvez mais da metade de nossa população.
Como homenagem a todos os italianos relembramos os nomes de
muitas famílias italianas que aqui mourejararam e ainda mourejam
conosco através de seus descendentes: Amâncio, Aprelini, Adriano,
Alegro, Aníbal, Aliplandi, Bíscaro, Bartelega, Baldoni, Benciveni,
Caselato, Carluci, Caldonazo, Constancio, Comunian, Ciacci,
Cougo, Conde, Cottini, Corcerre, Casagrande, Cainele, Canalonga,
Donagema, Dominguito, Domiciano, Dendena, Elizei, Fenoci,
Fatini, Foresti, Filardi, Françoso, FAbri, Frogeri, Geraldi,
Geraldeli, Guarriero, Dezie, Lentini, Lorenzette, Limborço,
Lomonaco, Lucio, Lelo, Levitzchi, Minitli, Maganha, Muoio,
Marangão, Massa, Maselli, Médes, Moselli, Miniello, Mangiapello,
Módena, Navarra, Natalli, Menegucci, Martinelli, Montevechi,
Ossani, Peloso, Pederiva, Perrupato, Pizzo, Pederiva, Petrin,
Pellini, Pazzoti, Passatuto, Pazzini, Pazze, Paruci, Piceli,
Rotundo, Poquim, Reghin, Reinato, Romualdi, Rosestolato, Saquarema,
Sala, Sarto, Sigiani, Semionato, Sicatini, Santão, Sapi, Trobini,
Trocoli, Tosi, Fada, Pantulli, Zanatelli, Pala, Gazelli, Rossignolli,
Papalli, Vachelli, Dalcin, Baroni, Dallesandro, Valatti, Pressato,
De Luca, Regina, Lemini, Bruno, Bertoldo, Pássaro, Trombeta,
Marquezini, Mazzeni, Martezzi, Borin.
Excertos do artigo "Influência da comunidade italiana,
em Varginha", de autoria do historiador Sr. Nico Vidal, publicado
no jornal "Varginha", Órgão Oficial do Município, nº 60, de
setembro de 1999.
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