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PROGRAMA INFANTIL DE RÁDIO "PETISADA ALEGRE" E SUA CONTRIBUIÇÃO
PARA O SURGIMENTO DE ARTISTAS VARGINHENSES
Varginha
viveu no período aproximado de 1955 até por volta de 1963
uma fase histórica na música. Por iniciativa do Padre Honório,
na época vigário da Paróquia do Divino Espírito Santo e apoiado
pelo locutor de rádio, o carioca residente em Varginha, Sr.
Djalma Guimarães foi criado o Programa Infantil de Rádio intitulado
Petisada Alegre, que se realizava nas
Esse programa radiofônico era transmitido aos domingos a partir
das 10 horas pela então Rádio Clube de Varginha, sob a direção
do seu fundador o radialista Sr. Silas Sampaio Morais(lincar
rádio clube).
Essa iniciativa pode ser considerada como o primeiro incentivo
e busca de futuros talentos musicais. No programa se apresentavam
crianças que através da música, poesia, instrumentação e outras
manifestações artísticas, ali compareciam para demonstrar
seus talentos.
Havia uma grande participação por parte dos varginhenses e
demais ouvintes de outros municípios que na maioria escolhiam
seus intérpretes favoritos, prestigiando-os com suas presenças
os programas ou enviando-lhes cartas elogiando-os e solicitando-lhes
as músicas que gostariam de ouvir, nas vozes de seus "ídolos".
A audiência era tamanha que por ocasiões de datas especiais
como Natal, Dia das Mães, Dia dos Pais, esses programas eram
realizados no Cine Theatro Capitólio (assim chamado na época),
que por ter um espaço maior podia melhor comportar os assistentes,
embora ele também ficasse totalmente lotado.
Caravanas de outras cidades, filhos e pais, vinham em busca
de contatos com aquelas crianças cantoras que mais lhes eram
significativas. Com o intuito de proporcionar a seus filhos
a emoção de conhecer os cantores mirins, também eles se integravam
ao espírito artístico que aquele programa representava na
época.
Acompanhava os cantores o chamado "Regional" do Petisada Alegre,
composto pelos músicos Sr. Oliveira Ciacci, ao acordeon; Sr.
Mr. Moto, ao cavaquinho e violão; a Profª. Alice Macedo ao
piano e Gilberto Vieira com instrumentos de percussão.
Estes músicos pacientemente às sextas-feiras à noite, ensaiavam
a criançada para que no programa de domingo, tudo acontecesse
sem imprevistos e com o mesmo brilhantismo que perdurou durante
toda a existência do Petisada Alegre.
VARGINHA
PRODUZ SEU PRIMEIRO DISCO
O
espírito artístico profissional foi se desenvolvendo de tal
maneira que após entendimentos do apresentador Sr. Djalma
Guimarães com uma gravadora de discos, esses, chamados na
época de "long play"- (LP) proporcionou a alguns cantores,
selecionados por ele, a oportunidade de gravarem um disco
, com duas músicas (uma faixa de cada lado) bem como, a gravação
de todo um programa em um domingo. Esses discos, lembranças
históricas, alguns desses cantores mirins ainda os conservam.
DO
PETISADA ALEGRE SURGEM TALENTOS MUSICAIS DE VARGINHA
O Programa Infantil de Rádio Petisada Alegre foi para alguns
cantores o início de uma carreira que para uns perdura até
hoje, com grande sucesso. É o caso do cantor Silvio Brito(lincar).
Após a extinção do programa, o músico já adolescente, fundou
o conjunto musical denominado "Os Apaches" do qual ele era
o cantor. Esse conjunto abrilhantava os vários "bailinhos"
da época, acompanhava outros cantores, apresentava-se em outras
cidades.
Assim a carreira artística de um varginhense se iniciou através
desse programa infantil de rádio, onde ele era considerado
um dos mais presentes e demonstrava através de sua atuação,
o caminho que trilharia no futuro.
A
CARREIRA DE SUCESSO DO JOVEM RADIALISTA VARGINHENSE
Cabe ressaltar também a participação do locutor desse programa,
que auxiliava o Sr. Djalma Guimarães nas apresentações dos
pequenos artistas. Fazia as propagandas dos patrocinadores
, na época, entre eles, a loja "Palácio do Lar", "Café Dubom"
, "Pastifício Santa Maria - Macarrão Cristal" e outros, ou
seja o jovem promissor, Gilberto Lima. Iniciou sua brilhante
carreira de locutor no Petisada Alegre. Posteriormente, mudando-se
para São Paulo, foi contratado pela Rádio Piratininga, em
seguida pela Rádio Globo do Rio de Janeiro. Chegando a ser
o locutor oficial do programa "Fantástico" da Rede Globo,
narrando as matérias apresentadas e lá permanecendo até por
volta de 1986, quando veio a falecer.
Influenciado pela carreira brilhante de Gilberto Lima, seu
irmão mais jovem, Eduardo , também varginhense, hoje desempenha
a mesma função, na Rede Bandeirantes de Televisão, em um programa
de telejornalismo.
Não somente esses artistas citados, advindos do Petisada Alegre,
destacaram-se na música. Muitos outros formaram conjuntos
musicais, tornaram-se cantores de orquestras, boates etc.
Alguns ainda hoje atuam em movimentos musicais em nossa cidade
ou em outras localidades.
Isso reforça a importância da iniciativa dos idealizadores
desse programa que era a distração sadia e promissora da criançada
aliada à possibilidade de um futuro profissional de sucesso
A INTEGRAÇÃO: MÚSICA , TEATRO
E SOLIDARIEDADE
Além
de apresentar os programas dominicais de rádio, havia também
a iniciativa por parte de outras pessoas da cidade, em formar
grupos de teatros com essas crianças, aproveitando seus talentos.
Peças teatrais eram ensaiadas e apresentadas em Varginha e
em outras cidades da região, com o objetivo de arrecadar donativos
para os mais carentes como o Educandário Olegário Maciel,
a casa das crianças da saudosa Dona Maria Rosa e outras entidades
filantrópicas.
Assim, o Petisada Alegre aliava à recreação também o aspecto
social e ambos predominavam entre as crianças cantoras, crianças
assistentes, familiares e demais visitantes que todos os domingos
lotavam o auditório do Clube Infantil Pio XII.
Fica aqui registrado, como pesquisa, aos que desconheciam,
o papel que o Programa Infantil de Rádio "Petisada Alegre"
desempenhou na contribuição varginhense às artes musicais,
de modo geral.
Foi por assim dizer, o sonhar, o confiar, o acreditar, o fazer
acontecer como prova de que se é capaz quando se acredita
realmente nessa capacidade.
PROGRAMA DE AUDITÓRIO -
CALOUROS DA RÁDIO CLUBE DE VARGINHA
A
Sociedade Rádio Clube de Varginha, assim denominada na época,
sob a direção de seu fundador, o radialista Sr. Silas Sampaio
Morais, desempenhou um papel fundamental na história da música
varginhense.
O Programa de Calouros era realizado nas dependências da Rádio
Clube de Varginha, onde hoje se instala a Copisan, na Rua
Presidente Antônio Carlos. Lá os cantores se apresentavam
e aqueles que se saiam bem em suas músicas recebiam brindes
pela participação, oferecidos pelos estabelecimentos comerciais
da cidade. Os que não conseguiam chegar ao final de suas apresentações
eram "gongados"por uma pessoa que os dispensava.
Assim, todos tinham sua oportunidade e seu espaço. A platéia
participava aplaudindo seus preferidos. Cantores de outras
cidades vinham especialmente para se apresentarem, tão significativo
era aquele programa de auditório.
Através desse programa destacaram-se vários profissionais
da música, entre eles o cantor Antonio Borba que contratado
por uma gravadora de São Paulo, para lá se dirigiu intensificando
de forma expressiva sua carreira musical.
Duplas autenticamente sertanejas também através desse programa
tiveram a oportunidade de se sobressair no mundo artístico.
Muitos cantores varginhenses ainda hoje participam de eventos
musicais em nossa cidade, como por exemplo, os que compõem
o grupo de Seresta(lincar) que aos domingos sob o patrocínio
da Secretaria de Cultura do Município, se apresenta na Fonte
Luminosa de Varginha. Sempre que isso acontece, contam com
a presença de vários assistentes saudosistas daqueles tempos
em que se prestigiava o programa de calouros da Rádio Clube
de Varginha.
Desta forma, uma vez mais cabe elogiar o apoio e a oportunidade
que esse programa de auditório, idealizado com o intuito de
descobrir novos valores da música como cantores ou outros
gêneros relacionados a essa arte , prestou àqueles que um
dia vieram em busca de sucesso, foram bem recebidos, mereceram
crédito de seus organizadores e souberam retribuir levando
o nome de nossa cidade por onde têm passado.
Varginha desde há muitos anos sempre proporcionou de alguma
forma expressiva condições para que seus talentos fossem revelados.
Hoje, nela continua vivo esse propósito, através de escolas
de músicas, do Conservatório Municipal de Música e outras
instituições que ,acreditando em seus talentos, neles investem
suas expectativas de um bom profissional nas áreas musicais.
Os textos acima foram compostos a partir dos preciosos
depoimentos da Sra. Elza Erbst Marques.
Silas
Sampaio Moraes, paixão pela radiodifusão
"Não sou radialista por mero acaso.
Sou radialista porque nasci com a
Rádio freqüência em meu sangue,
Com os kilohertz em minhas veias,
Com a música em minha alma."
Silas Sampaio Moraes
26
de agosto de 1918: nascia em São Carlos, estado de São Paulo,
Silas Sampaio Moraes, filho de Joaquim Martins de Moraes,
contador e teatrólogo, e de dona Maria do Amaral Sampaio Moraes.
Último dentre seis filhos, passou a infância em São Carlos.
A família transferiu-se para São Paulo após as segundas bodas
do pai. Na capital, cursou o Liceu e o curso Técnico de Contabilidade.
Em 1935 associou-se aos engenheiros Pedro Marinho e José Carlos
Marinho, da cidade de Santos/SP, com eles idealizando a montagem
de estações radiodifusoras. Ainda um sonho...
Em1936 mudou-se para Poços de Caldas, onde residia seu irmão
mais velho, aí arrumando seu primeiro emprego na Rádio Cultura
de Poços de Caldas. Anos depois escreveria:
"No início, como todos, nada entendia do assunto radiofônico,
mas sentia dentro de mim uma vontade enorme de falar, de ser
locutor, de agitar as massas através da arma poderosa."
19 de julho de 1941: nesta data foi adquirida em Varginha,
pelos senhores Antônio Bittencourt, Francisco Souza Pinto
e Armando Nogueira a Sociedade Rádio Clube de Varginha(lincar),
ZYB-2. Alguns meses após, Silas foi convidado a fazer parte
do cast de locutores. Anos mais tarde, como sócio, Silas Sampaio
Moraes, Antônio Bittencourt e outros fundariam a Rádio Clube
de São Lourenço, na cidade de mesmo nome.
Escolhendo permanecer em Varginha, conheceu em 1941 Ana Emília
Resende Conde (Anita), filha de tradicional família varginhense
e na época normalista do colégio Santos Anjos, por quem se
apaixonou. Contraíram núpcias em dezembro de 1943. Da união
nasceram Myriam Lêda, Heliane Maria, Vânia Beatriz e Silas
Júnior.
A 7 de setembro de 1962 a cidade que muito amou e escolheu
para viver, o adotou e honrou com o título de Cidadão Varginhense.
Silas Sampaio Moraes, homem dinâmico e empreendedor, foi pioneiro
da arte da comunicação radiofônica em Varginha. Organizou
e modernizou a programação da inesquecível Rádio Clube, criando
diversos programas como Varginha em Foco, Espelho do Sul de
Minas, Chave de Ouro, Ave-Maria, Hora da Saudade, Calouros
da ZYB-2, Programa Sertanejo do Zé Picuá, Rádio Variedades
B-2, dentre outros. Além disso, na Era de Ouro do Rádio recebeu
em sua programação grandes nomes da música brasileira como
Emilinha Borba, Cauby Peixoto, Angela Maria, Marlene e muitos
outros.
Não criou apenas programas musicais: compôs poemas e músicas,
algumas gravadas em "compacto". Alguns títulos de sua autoria:
"Queixume"; "Saudade, Morena"; "Haveremos de nos encontrar";
"Voltarei"...
Responsável pelo lançamento de grandes nomes como Galvão Conde,
Gilberto Lima, Antônio Borba, Nilson Lemos e Silvio Brito,
sempre empenhou-se em estimular vários talentos como Ribeirão
e Córguinho e outros. Destes dizia, não sem contentamento;
"Sinto orgulhosamente que os alunos ultrapassaram em muito
o professor".
Homem à frente de seu tempo, apesar das limitações técnicas
de então, acompanhava com avidez os lançamentos tecnológicos
em seu campo, lutando sempre pela modernização dos esquipamentos
da emissora que era sua "menina-dos-olhos". Seu alvo final?
Os ouvintes que com tanta expectativa aguardavam as transmissões.
"Uma estação de rádio começa pela ponta da agulha do disco
e termina na ponta da torre. De ponta-a-ponta, passando pelos
amplificadores, transmissores até seu final, só encontramos
problemas de toda espécie e ordem, que o ouvinte, no aconchego
de seu lar, jamais pode imaginar. Mas persistimos, apesar
de toda problemática. Persistimos porque amamos o rádio, por
isso nos entregamos à tarefa de fazer rádio, à luta pelo engrandecimento
do rádio - o amigo que dá tudo, sem nada pedir a não ser a
benevolência da sua atenção."
Segundo Cícero Acaiaba, grande amigo e colaborador, "a Rádio
Clube de Varginha só começou mesmo a se impor, a captar uma
audiência certa e que sempre aumentava, na gestão de Silas
como seu diretor - gerente. Que o digam José Galvão Conde,
José de Souza Pinto, Mauro Teixeira. E lá em cima, do céu
sem dúvida, o animador, entusiasta e de alegria contagiante,
a simpatia personificada de José Braga Jordão, que tantos
e admiráveis programas criou e levou ao ar, sob a segura orientação
de Silas Sampaio Moraes."
Ao longo de 40 anos Silas podia ser encontrado dioturnamente
na Rádio Clube. Afastado de seu antigo estimado local de trabalho
por motivo de saúde, nunca se desligou totalmente: acompanhava
a programação pelo rádio, contava histórias de seu tempo,
lembrava-se dos funcionários, dos desafios enfrentados, das
venturas vividas e ficava fascinado ao ouvir sobre novas tecnologias.
Algumas vezes surpreendia aos familiares com um certo brilho
no olhar enquanto dizia-se: "este programa seria bom... gostaria..."
Mesmo longe continuava a criar programas e a sonhar com sua
audiência e seu castelo de sons. Faleceu em 20/04/1993
"Dói demais a dor cruel de uma saudade".
Vânia Beatriz Conde Moraes.
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