|
Música em Varginha
O jornalista Bernardo Saturnino da Veiga, diretor do Jornal
Monitor Sul Mineiro, com sede em Campanha, lançou , em 1874
o importante " Almanaque Sul Mineiro". Fonte sólida de pesquisa,
a obra apresenta curiosidades de inúmeras cidade do Sul de
Minas.
Referindo-se elegantemente a Varginha, o autor registra nomes
votados à música: Professor Cassiano Camilo de Oliveira, Alferes
João Batista da Fonseca e , com destaque, o Violeiro Francisco
Alves França.
Em 1884, ao lado de outros artistas, aparece o nome de Presciliano
Symphrônio da Fonseca, talentoso maestro.

O gosto pela seresta vem de longa data. Segundo o historiador
Nico Vidal, os seresteiros de Varginha dedicavam-se apaixonadamente
à função, apresentando-se no coreto e serestas inesquecíveis.
Entre os nomes da seresta, podem-se citar: Manoel Moreira
Meirelles, Zé Melado, Alfredo da Phelomena, Athanagildo José
Lelo, Brício Paiva e o compositor e pianista de grandes méritos
Targino Nogueira.
O ano de l956 marca o nascimento do Grupo de Seresta que até
hoje vem-se apresentando com distinção em Varginha e nas cidades
vizinhas.
Idealizado por Guido Braga, Primo Trombini e José Maria, o
Grupo de Seresta traz para o público músicas imortais do cancioneiro
nacional e internacional.
Músicos expresssivos e professores de valor dedicaram seu
talento ao Grupo de Seresta Primo Trombini. Dentre eles. citamos:
Quinca Izidoro, Weber Machado, Matheus , Juscelino, Fernando
Crisóstomo da Silva e Ricardo Wagner Albinati Silva e Romeu.
Atualmente, o "baile" continua na Praça da Fonte graças ao
dinamismo e bom gosto de Guido Braga, Aparecida Azze, Mozart,
Juca, Mozart Filho, João e Sebastião, contagiando de alegria
e beleza o coração dos varginhenses.
Bandas de Música
Os grandes momentos de uma cidade sempre se fizeram marcar
pela presença de uma Banda de Música. Dobrados, marchas, mazurcas,
polcas eram músicas que traziam enlevo à população nas solenidades
religiosas e nas festividades cívico-políticas.
Um das mais antigas corporações musicais varginhenses surgiu
em 1895. Era a Banda Sete de Setembro , que exercia suas funções
artísticas sob a regência do Maestro Joaquim Pedro de Oliveira.
Houve também, por volta de 1915, a prestigiada Corporação
Musical União Varginhense regida competentemente pelo Maestro
José Augusto de Lima.
A década de 20 , foi marcada pela presença do Maestro Amâncio
da Silva, que presidia com denodo a Liga Operária e regia
com competência a Banda Santa Cecília.
Até pouco tempo, nas procissões da Paróquia de São Sebastião
e nas solenidades públicas, os varginhenses ouviam belas canções
executadas pela Banda Lira Varginhense. Á sua frente, sempre
abnegado e discreto, estava o Maestro Romualdo. Por muitos
anos, a Lira Varginhense teve sua competente liderança e contou
com seu incansável trabalho de músico.
Francisco
Campos Neto - Barítono
Sua formação musical iniciada em Varginha, completou-se com
o diploma na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG.
É professor de canto da Universidade Livre de Música Tom Jobim
em São Paulo e na Escola Ernest Mable em Piracicaba.
Já atuou em diversos teatros brasileiros como solista de suas
orquestra.
Trabalhou com Eleazar de Carvalho, Isaac Karabstcheski, entre
outros.
Integrou o catálogo "The American Voice". É cantor convidado
da "Art American Producions" (New York). Em 1994 em New York
audicionou para as óperas de Cleveland, Pittsburgh, Houston
e para Carnegie Hall (New York), tendo sido convidado para
cantar nas temporadas 96, 97 e 98 desses teatros.
Trabalha sob a orientação de Leila Farah (São Paulo) e Franco
Iglesias (New York). É integrante da Sociedade Brasileira
de Ópera.
Informações advindas da Fundação Cultural de Varginha.
Rosildo Beltrão
Varginhense, Maestro, Trompetista, Compositor, Arranjador
e Produtor Cultural. Filho do Sr. Orildo Pereira Beltrão e
Sra. Ruth Martins Beltrão, casado há dezessete anos com Deborah
Valle e Costa Beltrão e pai de Leonardo Valle e Costa Beltrão,
de 15 anos. Residiu durante 10 anos no Rio de Janeiro onde
concluiu seus estudos musicais na Escola de Música Villa Lobos,
CBM e Universidade Estácio de Sá. Participou dos principais
cursos internacionais de férias como Teresópolis, Campos do
Jordão e Brasília. Foi o regente titular e fundador da Banda
São José na Tijuca, onde conquistou diversos títulos como
o Regente do Ano em 1984 pela Liga da Defesa Nacional/RJ;
primeiro lugar no concurso de regência promovido pela Funarte/MEC,
em 83; 84 e 85; primeiro lugar do concurso estadual de regência
promovido primeiro RCC/Exército/RJ, em 84, e primeiro lugar
no concurso promovido pela Petrobrás/RJ, em 85. Criou a Banda
Instrumental Maria Fumaça e Banda Conclave, em 84, onde atuou
como arranjador, instrumentista e compositor, com diversas
gravações em estúdios, como Transamérica, TV Manchete e TV
Educativa, RJ, e várias apresentações em espaços importantes
como People, Metrópolis, Vogue, SESC e Circo Voador. Como
Maestro convidado realizou vários concertos com a Banda Sinfônica
de Portugual, mantida pelo consulado Português no RJ. Retornando
à Varginha continua seus trabalhos artísticos e ocupa os cargos
de Maestro Titular da Banda Municipal, nomeado por concurso
público de 92, Coordenador de Eventos Artísticos da Fundação
Cultural do Município desde 98, Delegado Regional da OMB,
desde 94; e neste ano de 99 ocupa o cargo de Diretor do Theatro
Municipal Capitólio. BANDA MARCIAL MUNICIPAL DE VARGINHA A
Banda Marcial Municipal, foi criada na década de 60 pelos
Irmãos Maristas, quando aconteceram as primeiras apresentações
nos desfiles cívicos de Varginha, em toda região do Sul de
Minas e na Capital Mineira. Em 1973 por decreto lei, foi reconhecida
e declarada de Utilidade Pública Municipal e Estadual. Em
1975, a banda foi premiada em primeiro lugar no Encontro Nacional
de Bandas, realizada na cidade de Ribeirão Preto, SP. Em 1978,
uma diretoria formada por alguns Pais e alunos assumiu a coordenação
geral da banda, sendo que no mesmo ano a Prefeitura resolveu
apoiar integralmente todas suas atividades, passando então
a BANDA MARCIAL MUNICIPAL DE VARGINHA. Em 1980 a banda participou
de um concurso nacional realizado em comemoração aos 20 anos
de fundação de Brasília, quando obteve o primeiro lugar. Ainda
em 1980 a banda sagrou-se campeã no concurso nacional da cidade
de Campos do Jordão, sob promoção do Governo do Estado de
São Paulo em comemoração ao congresso nacional do Lions Clube
do Brasil . A banda possui mais de 50 títulos conquistados
nos diversos concursos regionais, estaduais e nacionais dos
quais destacam-se o Bi campeonato na cidade Arujá, SP, primeiro
lugar em Guaratinguetá, SP, primeiro lugar em Itatiaia, RJ,
primeiro lugar em Itaquá, SP, primeiro lugar no encontro de
bandas no Play Center, SP, primeiro lugar no concurso estadual
na cidade de Extrema, MG, além de diversas atuações nas principais
capitais brasileiras. Atualmente a banda conta com a participação
de 80 jovens músicos e 20 integrantes da Comissão de Frente,
corpo coreográfico, balizas e porta-bandeiras, sendo todos
estudantes Varginhenses. A Banda por decreto- lei,está vinculada
à Fundação Cultural do Município de Varginha, tendo como Diretora
a Senhora Teresinha Delfraro David, Superintendente da Fundação
Cultural e como Regente o Maestro Rosildo Beltrão. O repertório
é bastante diversificado, incluindo as tradicionais marchas
e dobrados, peças clássicas, populares, e uma predominância
para a música instrumental brasileira, todas especialmente
arranjadas e adaptadas para os instrumentos de sopro e percussão.
Ballet Marlene Paiva
A professora varginhense Marlene Rodrigues Paiva é conhecida
por seu espírito vanguardeiro e decididamente marcado pela
dança.
Aos dezesseis anos, em São Paulo, iniciou seus estudos e formou-se,
anos depois, sob a sólida orientação da saudosa Maria Olenewa,
bailarina do Municipal do Rio e de São Paulo. Olenewa era
uma professora russa que se iniciou no bailado com a legendária
Ana Pavlova.
Há trinta e quatro anos, fundou em Varginha uma das primeiras
escolas de dança da região -- o Ballet Marlene Paiva.
Aprimorando-se profissionalmente, Marlene credenciou-se, há
mais de vinte anos, como professora do Royal Ballet Academy
of Dance, de Londres. Assim, possibilita às alunas uma oportunidade
excelente de serem examinadas por professoras de alto e reconhecido
talento enriquecendo-lhes grandemente o currículo artístico.
O Ballet Marlene Paiva possibilitou para Varginha o nascimento
de várias outras Escolas de Dança que são dignas representantes
da arte sul-mineira. Ofereceu á comunidade inúmeras bailarinas
de fama: Lídia, Cláudia, e Marina Azze , professoras da entidade;
Milene Azze, bailarina do Grupo Corpo, de Belo Horizonte;
Maria Inês Barros, diretora da Escola Corpo e Dança; Karem
E. Maio L. S. Alves, destacada artista.
São João da Boa Vista, Araxá, Belo Horizonte são algumas das
cidades em que o Ballet já se apresentou. Em 1999, trouxe
para Varginha valiosas premiações pelas coreografias nos estilos
clássico livre e contemporâneo.
Silvio Brito
Filho varginhense de renome nacional.
Sem dúvidas, uma das maiores expressões da música e das artes
locais. Cidadão Varginhense por outorga da Câmara Municipal,
Sílvio Brito nasceu em Três Pontas, dia 10 de fevereiro de
1952. É filho de Francisco Brito Neto e Maria Inês Ferreira
Brito. Tem quatro irmãos: Mauro, Walter, João e Luzia.
Iniciou sua carreira em Varginha, aprendendo boa parte do
que sabe em música com o saudoso maestro José Maria Nogueira
Valias. Nos programas "Petizada Alegre(lincar)", do Clube
Infantil Pio XII, pelas mãos do padre Honório Link, foi revelando-se
para a profissão.
Fundou o conjunto Os Apaches, na fase áurea em que, ao lado
do Los Cubanos abrilhantava as noites e os eventos de Varginha
e Minas Gerais.
Transferiu-se para São Paulo, onde gravou seu primeiro disco.
A irreverente música "Tá Todo Mundo Louco" foi seu primeiro
sucesso a conquistar as paradas de sucesso. Seu jeito especial
fez com que a mídia o comparasse a ídolos da juventude de
então, como John Lennon e Raul Seixas.
Apresentou, na TV Tupi, o programa Hallelujah!, ao lado do
também cantor e compositor Fábio Júnior.
Participou de inúmeros festivais nacionais e internacionais,
dentre os quais o da TV Record, em que se destacou com a música
"São Thomé das Letras" e o Festival de San Remo, onde também
esteve entre os premiados.
Gravou ao todo 14 discos tendo como destaque, no último, a
música "Uma Luz". Atualmente produz e apresenta programa de
televisão na emissora católica Rede Vida e é freqüentemente
contratado para shows em diversas partes do País.
Elvira
Gomes
Desde os 9 anos de idade, Dona Elvira Gomes se entusiasmou
pelo piano, instrumento considerado por ela o mais completo.
Foi a mestra e amiga, Adrienne Diniz Vallim que com muito
incentivo fez brotar no coração da nossa pianista varginhense
o amor pela música.
A partir daí, Elvirinha Gomes como é mais conhecida, começou
a aprofundar o aprendizado da arte de tocar piano. Com Berenice
Menegale da Fundação de Educação Artística em Belo Horizonte,
que Elvirinha teve um desenvolvimento técnico e musical. Já
na Academia de Música Lorenzo Fernandez do Rio de Janeiro,
foi com Arlete Thedim que Elvirinha ampliou sua arte de ensinar.
A professora de piano Elvira Gomes, sente-se abençoada por
ter o dom de ensinar. Dedicação e disciplina ao estudo são
os principais conselhos dados aos alunos por Dona Elvira Gomes,
que desempenha este trabalho há vinte e nove anos. As centenas
de alunos não são só de Varginha, mas também de várias cidades
brasileiras e até do Japão. O jovem Kenji Nagashima, hoje
com 24 anos de idade, depois de formar-se em Arquitetura no
Japão, volta à Varginha. Ele morou aqui quando criança e volta
para prestar uma grande homenagem à Dona Elvira, que o ensinou
os fundamentos do piano.
Desde a sua primeira apresentação no Clube de Varginha, em
1957, D. Elvira não pára de se apresentar. Sua principal apresentação
foi um Recital de Árias de Óperas realizado no Theatro Municipal
de Varginha com participação especial do barítono Francisco
Campos Neto(lincar) e a soprano italiana Patrícia Morandini.
Como pianista acompanhadora do Conservatório de Varginha,
tem realizado Duos com flautas, violinos, violoncelo e sax.
Gosta de interpretar os compositores Brahms e Schumann, considerados
por ela os mais complexos. Mas o romantismo e a sensibilidade
de Chopin a deixam muito comovida. A profundidade e o sentimento
da música de Brahms a apaixonam.
Este é o mais belo exemplo de uma mulher que faz da música
a sua própria vida e temos que parabenizá-la por todo seu
sucesso.
Oneyda, exemplo de inteligência
Oneyda Paoliello Alvarenga é uma figura importante
na história brasileira. Mineira, nascida em Varginha,
em 6/12/1911, filha de Orpheu Paoliello de Alvarenga e Maria
Paoliello Alvarenga, “se tratava duma moça mineira,
de 21 anos, extraordinariamente inteligente, cuja educação
musical e outras educações eu que fizera”, disse
Mário de Andrade a Murilo Miranda.
Iniciou-se na música através do maestro Bernadino
de Sena. Foi aluna de Mário de Andrade, no conservatório
Dramático e Musical, onde cursou piano e diplomou-se
em 1934.
Para receber o diploma em 1935, precisou fazer uma pesquisa
e editou a monografia sobre os Cateretês do Sul de Minas.
No mesmo ano, principiou seu trabalho como diretora da maior
discoteca da América, a Discoteca Pública de
São Paulo.
Em 1938 escreveu “A Menina Boba”, livro que contém
poesias belíssimas. Também escreveu poemas publicados
na Revista Acadêmica. No ano 1974, publicou “Mário
de Andrade, um pouco”. Ajudou-nos a saber um pouco mais sobre
Mário de Andrade. Não podemos esquecer o livro
“Música Popular Brasileira”, editado em 1982. Oneyda
ajudou Mário de Andrade, sendo coordenadora do Dicionário
Musical Brasileiro, que contém 3.500 vocábulos.
Casou-se com Sylvio Alvarenga. Constitui peça chave
no Resgate de importante parte da cultura brasileira, especialmente
a mineira, e foi grande escritora e conhecedora da arte, recebendo
elogios de Mário de Andrade pela sua espantosa disciplina
e desenvolvimento artístico devidamente reconhecidos
pelo seu talento.
|